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No passado dia 8 Abril tivemos uma sessão de divulgação das atividades da escola, dirigida aos docentes e aos investigadores do Técnico. Este evento pretendeu preencher um espaço que estava vazio desde há vários anos e diminuir um pouco o alheamento entre gestores e geridos.

Excelente iniciativa, que muita falta fazia. Salão Nobre, sala muito composta apesar de ser 4ª feira logo a seguir à Páscoa, em tempo de interrupção de aulas. Segundo os organizadores, cerca de 200 elementos na plateia.

A apresentação inicial, por parte do Prof Rogério Colaço, consistiu num discurso baseado no cronograma dos sucessos conseguidos nos seus mandatos. Foi bastante detalhado, longo (tinha duração prevista de 30 minutos, mas durou cerca do triplo do tempo) e muito dourado. Tudo no IST é perfeito, no mínimo. O Presidente do Técnico (PIST) faz maravilhas, os alunos são felizes, os docentes são incríveis, os investigadores maravilhosos e a escola respira sucesso e perfeição. Na realidade, o discurso teve muito de marketing e alguma falta de ligação à realidade. Parecia talhado para apresentar a um potencial comprador da instituição, enaltecendo vigorosamente os pontos positivos (porventura com algum excesso) e omitindo os pontos negativos. Cada criação era listada, mas o que foi encerrado ou eliminado, foi simplesmente excluído. Só que, na realidade, o público era constituído por pessoas que cá passam grande parte das suas vidas, pelo que teria sido provavelmente mais interessante uma prestação de contas, mais modesta e mais sincera, no lugar de uma operação de marketing. Foi uma pena.

De entre tantos itens descritos, e apesar do longo discurso, foi demasiado lacónica a apresentação dos novos edifícios planeados para o campus Alameda, que estava limitada a um slide com um carácter paisagístico e nada rigoroso. Mais, durante a sessão de perguntas, o novo edifício Sul foi descrito à custa de gestos 3D, sem um conjunto de imagens que nos permitisse ter real conhecimento do projecto, mas fazendo em vez disso um conjunto de gestos que pareciam tentar desenhar no ar o oculto projecto de arquitectura, apelando à nossa notável capacidade imaginativa.

De entre as questões levantadas pelo público, nas 2 horas que se seguiram, evidenciaram-se as apreensões dos colegas do campus de Loures, relativas quer à progressão na carreira, quer ao envelhecimento das infraestruturas e ainda à planeada alienação de património (Quinta dos Remédios). Nesse âmbito, o Presidente do IST aproveitou para declarar que o Reator Nuclear do Pólo de Loures era perigoso, mas que, agora que foi desativado, a sua venda não só será possível, como está planeada. Perguntamos em que se baseia essa sua opinião, já que outras instituições como o MIT, a TUM e ou a EPFL, com objetivos comparáveis aos do IST mas no topo dos rankings mundiais, mantêm os seus reatores nucleares, que não consideram perigosos, para a utilização ciência, no ensino, na engenharia, e na medicina. A resposta não foi satisfatória.

Durante as 3h30min em que falou, o PIST fez algumas declarações, num estilo populista “Make IST Great Again”.  Por exemplo, conforme repete nas redes sociais,
https://www.facebook.com/story.php?story_fbid=26608364182093221&id=100000390001500&post_id=100000390001500_26608364182093221&rdid=AK6K9MHhz31Xd7UI

E declarou ainda que “O Instituto Superior Técnico continua a destacar-se por ser a única instituição de ensino superior em Portugal com um programa de valorização de carreiras do seu corpo de professores e investigadores.” Duvidamos.

Ainda assim, ficámos então a saber que:

– O programa de promoção do pessoal docente e investigador é único no país e as outras escolas de ensino superior gostariam de o fazer, mas não conseguem. Já ouvimos isto várias vezes, mas nunca percebemos porquê, se afinal é tão fácil. A este propósito, segundo o SNESUP, só em 2025, também as Universidades do Porto, do Minho, de Coimbra e da Beira Interior abriram dezenas de concursos internos de promoção. Se somarmos os anos de 2024 e 2023, estão listados quase setecentos concursos internos de promoção, em muitas instituições (veja-se https://www.snesup.pt/concursos/concursos-ensino-superior-universitario-publico/).

– Os concursos para contratação e promoção têm sido sempre justos e não há qualquer notícia de excepção a esta regra (ora muitos de nós conhecem excepções).

– Os alunos do IST têm obtido bons resultados em provas desportivas, o que prova que o Técnico promove fortemente o desporto (eles não seriam já desportistas quando ingressaram na universidade? Qual o papel real do Técnico nestes sucessos?).

– A piscina do IST vai-se manter como um buraco, mas transformada num “buraco de estudo”. Perde-se assim um espaço de actividade física e de qualidade de vida de todo o campus.

– Ter um ginásio no campus Alameda não tem interesse, porque há vários ginásios no bairro (muitos de nós praticámos actividade física nos ginásios do IST).

– A conversão do refeitório do pessoal em laboratório de Física (ocorrido no período pós-pandemia) foi uma perda, mas sem qualquer outro comentário ou justificação. Não deixa de ser curioso que na apresentação só foi mencionado o que foi criado, mas não o que foi extinto, como é este caso. Este era um espaço de encontro, entre colegas de departamentos diferentes e geograficamente separados nos seus espaços de trabalho, pelo que a sua função era importante e extravasava a questão dos almoços. Era também um local onde se podia fazer refeições a preços controlados, o que não deixa de ser relevante, em particular para os funcionários com salários mais baixos, e em épocas de crise económica. Certamente a justificação será análoga à dos ginásios, ou seja, há muitos restaurantes na zona (e será que temos a obrigação de os apoiar?…)

– As mesas colocadas à porta do Complexo Interdisciplinar e em alguns espaços ajardinados vêm em grande parte colmatar a falta do refeitório, e têm tido um sucesso enorme (por favor, alguém explique a diferença entre um refeitório e um parque de merendas…). Pior, com a construção dos novos edifícios vamos perder uma parte destes jardins.

– Que os investigadores do campus Loures vão em breve ter a visa facilitada, graças às verbas que resultarão da venda da Quinta dos Remédios (a tal do Campus de Loures).

Com grande pena nossa, não entendemos:

– Como é possível fazer uma sessão destas (evento, ou outra coisa parecida) sem apresentar os projectos dos edifícios cuja construção está em curso ou planeada. São dois edifícios que irão marcar profundamente a paisagem interior do campus Alameda e que não foram realmente apresentados à escola.

– Como se favoreceu tanto o marketing em desfavor dos temas mais prementes e que afectam as carreiras dos docentes e investigadores.

– Sendo a estatégia seguida pelo IST é estatutariamente da responsabilidade do Conselho de Escola, se este órgão teve realmente as condições para se pronunciar de modo informado e transparente.

– Por que recebemos tão pouca informação no dia a dia, apesar da facilidade de comunicação e da grande quantidade de mensagens com que somos bombardeados.


Com as melhores saudações académicas.

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